... y al Oeste con Portugal.
SUMARIO

O meu imaginário de Lisboa
JOÃO DE MELO

Deve ser feita uma separação entre o imaginário de Lisboa próprio dos que nela nasceram e podem identificar-la com a sua infância e o dos que vieram de fora. O autor, desde o segundo ponto de vista, apresenta a Lisboa como a «ilha maior» do arquipiélago que Portugal é. Recomenda evitar uma visão excessivamente literária da cidade devido a que nada é mais verdadeiro do que a realidade quotidiana, e a partir duma posição céptica que «não crê na eternidade de nada, de ninguém», tenta comprender Lisboa com olhos açorianos.

 

Espanha e a questão portuguesa
JEAN-FRÉDERIC SCHAUB

No início do artigo o autor reflecte sobre o problema dos nacionalismos na Espanha actual, utilizando o que passa a denominar o argumento português, para responder a estas duas questões: A construção da identidad portuguesa foi feita contra a hispanidade? O uso do castelhano ou do português é um elemento de oposição entre as duas comunidades ibéricas? Utilizando a análise histórica para responder estas perguntas conclui-se que o exemplo português é útil para defender uma conceição de Espanha como realidade cultural que não para de mudar, e que é preciso analizar evitando qualquer falsificação do passado.

 

Aproximação ao movimento sindical português
JOSÉ ANTONIO SARACÍBAR

O percurso do movimento operário em Portugal desde as primeiras associações em 1834, até a fase de pluralismo sindical que começou a existir en 1976 e prossegue ainda hoje, é analizado pelo autor do artigo, que explica os aspectos mais interesantes da acção reivindicativa dos sindicatos em Portugal (defesa dos salários, luta pelo emprego y pelo sector público da economia, etc.). Salienta ainda o autor a necessidade de avançar para a unidade sindical das organizações existentes e propõe algumas iniciativas para serem desenvolvidas pelo sindicalismo na Europa do futuro.

 

O paradoxo de uma civilização do trabalho sem empregoparadoja de una civilización del trabajo sin empleo
ADOLFO YÁÑEZ CASAL

A carência de trabalho numa sociedade que se baseia no trabalho produtivo origina a reflexão do autor sobre a evolução do conceito de trabalho até que Adam Smith lhe confere o estatuto teórico-social que ainda hoje possui. O paradoxo referido no título acontece no momento em que a reducção do trabalho, entendido por A. Smith como «tempo de trabalho», não está a produzir menos horas de trabalho, senão o fenómeno do desemprego e o fin do sono da civilização do lazer.

 

Uma literatura apátrida
JOSÉ MANUEL FAJARDO

A metáfora central de A jangada de pedra de José Saramago, origina uma reflexão em torno dos efeitos que sobre a literatura tem a marginalidade de algúns autores. Esta literatura, que pode ser chamada apátrida, caracteriza-se por não ter nada a ver com qualquer veleidade nacionalista no sentido mais estreito do termo. Pelo contrário, responde «à geografia do coração, tão diferente da oficial», que é a que importa ao autor do artigo.

 

O poder local no Portugal democrático
DANIEL BRANCO

A revolução de Abril 1974 criou as condições para a organização democrática do municipalismo português com a aplicação dum modelo que reveste uma relativa complexidade, mas tem demonstrado uma grande estabilidade no que diz respeito à composição e à estabilidade das autarquias. O autor comenta as características e a regulação jurídica da vida municipal portuguesa, as fontes de financiamento e as atribuções das autarquias locais, e salienta a necessidade de reducir o grande centralismo existente.

 

El siglo XX ha muerto, ¡Viva la Expo 98! (Notas sobre el Lejano Oeste)
FRANCISCO J. FARALDO

Entre a ironia e o humor, o autor critica el profundo desconhecimento existente entre os cidadãos dos dois paises ibéricos, quase sempre orientada para o intercâmbio de produtos y mercadorias ou para a realização de percursos turísticos de pouca entidade. Refere-se a determinados factos históricos comúns, que interpreta dum modo deliberadamente caricato, e alude ao Iberismo como uma doutrina jamais concretizada em decisões políticas, reivindicando a figura do Viriato como o único iberista verdadeiro desde os celtíberos até a Expo 98. Conclui com uma chamada ao encontro ibérico, ainda possivel no âmbito individual e exprime a sua convicção de que Espanha e Portugal entraram numa fase de perda das identidades respectivas.

 

A ideologia morreu? E o teatro deixou de estar comprometido?
ARMANDO CALDAS

A vigência dum teatro documento relacionado com uma perspectiva humanista está justificada pela necessidade de que o teatro entre na analise da história e do quotidiano. Este tipo de teatro não é apenas produzido pelos acontecimentos históricos contemporâneos e faz parte da obra de autores como Shakespeare, Lope de Vega o Gil Vicente até chegar à nossa época com Piscator, Brecht, Osborne, Sartre, Alfonso Sastre o Costa Ferreira, entre outros.
A luta ideológica, com formas diversas, continua a existir e, por tanto, é também previsível a supervivência dum teatro documento comprometido com a sua época.

 

Cenários para uma estrategia de cooperaçao na fronteira mais antiga da Europa.A economia na Eurorregião Galiza - Região Norte de Portugal
AURELIANO GARCÍA GONZÁLEZ-LLANOS

As regiões fronteiriças estão entre as mais desfavorecidas da União Europeia, quer pela sua posição periférica, afastada dos centros de gravidade urbanos e industriais, quer pela confluência de regimes juridicos e administrativos diferentes e comunicacões insuficientes. O autor postula o novo conceito de espaço económico, denominado eurorregião atlántica, para um futuro de cooperação entre a região norte de Portugal e Galiza, um território de 50.000 km2 e uma população de 6.343.000 habitantes, que é o 8,5% e o 12,6% do total peninsular. Num sistema de carácter polinuclear há potencialidades e estrangulamentos que é preciso remover e aproveitar, embora tenham fundas raices históricas. Agora temos a oportunidade de seguir estas três linhas de trabalho: uma articulação territorial com um mercado amplo comum aos operadores económicos em ambas margens do Minho, potenciando uma rede urbana integrada e criando infraestructuras de comunicação; uma cooperação nos domínios naturais da educação, cultura e investigação; e, em terceiro lugar, um desenvolvimento dos recursos endógenos, modernização produtiva e esboço de grandes redes que intercomuniquen e ponham em conexão com Europa os centros mais dinámicos desta eurorregião atlántica.

 

Da língua portuguesa e suas dificuldades de tradução
ANA RABAÇA

No artigo são expostas as dificuldades dos tradutores de ambas as línguas devido à carência de dicionários de qualidade. A autora critica de maneira especial a incapacidade portuguesa para elaborar um dicionário de Português-Espanhol que responda às necessidades dos tradutores e do público leitor. São também referidos algúns problemas específicos: a construcção das frases, a pontuação, os tempos verbais, a transposição, a equivalência. Comenta-se ainda o uso de determinadas expressões que, pelas suas conotações sociológicas y culturais, precisam duma tradução muito cuidadosa.

 

Canção popular em Portugal e Espanha. José Afonso: uma referência obrigada.
BENEDICTO GARCÍA

Neste artigo e rememorado o difícil trabalho dos músicos e cantores que fizeram parte dos movimentos artísticos da última fase das ditaduras portuguesa e espanhola tentando uma nova leitura das raízes culturais dos dois países desde uma perspectiva de recuperação democrática. Sublinha-se a enriquecedora aportação e a qualidade humana e profissional de José Afonso, sua relação com Espanha e Astúrias e diversos aspectos comoventes da vida do músico e cantor português.

 

De uma reforma educativa abortada a uma paixão que vai pelo mesmo caminho
MANUELA LOURENÇO

A aprovação da Lei de Bases do Sistema Educativo em 1986 serve para alicerçar a reforma do ensino e organizar o sistema educativo.A LBSE determina os ciclos em que o ensino é impartido e discrimina os complementos, apoios e recursos, formação de profesores, gestão democrática e o financiamento da educação. A autora desenvolve a sua crítica da reforma em aspectos como o insuficente financiamento, o fracasso das EBI (Escolas Básicas Integradas), a falta de planificação na formação dos professores, a enganadora autonomia atribuida aos centros do ensino superior e os erros contidos no estatuto da carreira docente. Não fogem ao cepticismo da autora as medidas tomadas pela nova administração educativa.

 

Portugal: uma identidade na margen atlântica da Europa
FIRMINO MENDES

A partir do século XII, em torno do primeiro rei, o espíritu aglutinador de uma consciência nacional vai ganhando corpo em Portugal. A influência dos Descobrimentos, as relações com Castela e outros fenómenos como o salazarismo, são revistados pelo autor até chegar ao encontro com o Portugal de hoje, um país com certa tendência para a improvisação, pero que tenta ser aberto, voltado para o mar e para a Europa, para África e para o Brasil.

 

 
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