OS RESUMOS

«Local versus Global. A 'new' challenge for the social economy»
JORDI ESTIVILL

A economia social tem suas raízes, sua razão de ser, suas alianças, sua força. Ultimamente, as federações e organizações internacionais começaram a ter em conta a crescente importância da globalização. Através de um pequeno percurso histórico, de análises dos câmbios no papel da economia social e de suas potencialidades e limitações, dão-se as respostas no que o autor chama de locoglobalização.

A economia social retoma e atualiza as históricas instituições internacionalistas ao repensar seu novo papel a partir da globalização sem cair numa análise dicotômico no qual ressalte unicamente seus aspectos positivos (que os têm), os seus aspectos negativos que também os têm. Tem que reforçar a presença da economia social com capacidade de proposta, na reestruturação do diálogo Norte/Sul, Oeste/Leste, Centro/ Periferia. Afirmar os valores que caracterizam a economia social (democracia interna, solidariedade, participação cidadã, qualidade de vida, articulação entre dimensão econômica e social, busca de soluções alternativas à economia lucrativa e a intervenção pública), num mundo que procura novos elans éticos e políticos.


«A nova economia social: Respostas cooperativas tradicionais a desafios sociais e econômicos atuais»
JORGE COQUE MARTÍNEZ


Este artigo analisa o fenômeno das organizações participativas com enfoque social que diversos coletivos põe em marcha com respostas aos problemas tão atuais como o desemprego, a degradação meio ambiental ou a profundização nas liberdades democráticas. Segundo a zona geográfica, o enfoque ideológico ou outros fatores existem diferentes denominações para referir-se a estas realidades. Na Europa e América do Norte tem-se generalizado o termo Nova Economia Social, cujo conteúdo se assemelha muito aos da economia popular solidária, de ampla aceitação na América Latina e outras regiões desfavorecidas.

O artigo defende a tese de que no fundo todos estes fenômenos, não configuram modelos organizativos radicalmente novos, senão que supõem adaptações da economia social tradicional a novas necessidades e condições sociais e que a sua vez a economia social se compõe de uma combinação de cooperativismo e seudocooperativismo.

Em outros termos: desde uma perspectiva econômica, a Nova Economia Social não é tão nova. Para chegar a estas conclusões, as seguintes epígrafes apresentam, nessa ordem, o conceito de Cooperativa, o da Economia Social e o da Nova Economia Social.


«Globalização, Economia Social e Iberoamérica»
JOSÉ BAREA

Frente ao desafio da Nova PAC, as cooperativas Agrárias, teriam que adotar uma nova estratégia consistente em conscientizar-se do novo entorno globalizado, onde vão desaparecer as ajudas ao setor agrário e impulsionar na união das Administrações Públicas, estudos que determinem os produtos e as regiões nas quais Espanha pode ser competitiva no novo entorno econômico globalizado, tendo em conta suas condições climatológicas e sua situação demográfica. Aumentar a produtividade nas produções nas quais possamos ser competitivos, através de inversões em I+ D+ I. As cooperativas teriam que por recursos em comum com tal finalidade. Incrementar a qualidade de nossos produtos e potenciar uma política de marketing que vendesse a marca Espanha. Integrar o processo produtivo desde a produção agrária, a comercialização dos produtos e a industrialização dos mesmos. (Indústria Agroalimentária).

Avançar fortemente nos processos de concentração tanto em nível de produção como de comercialização e industrialização.
As cooperativas podem aproveitar o chamado turismo rural, tendo como lema à conservação do meio natural, que poderia absorver, uma boa parte da paralisação que a reconversão agrária vai gerar, que poderiam desfrutar de ajudas públicas para a conservação meio ambiental do meio rural.
Enquanto as instituições sem fins de lucro (Fundações, Associações, ONG, etc.) têm um grande rol que desempenhar para diminuir as graves desigualdades sociais, a que, às vezes, a globalização dá lugar.
Os países ibero-americanos, como países em desenvolvimento vêm sendo muito afetados pelos efeitos beneficiosos e perversos, que como temos dito, a globalização gera, e o rol que neste contexto analisa-se a problemática da economia social em iberoamérica e propõe a cooperação iberoamericana na criação de um espaço comum da economia social.

«Responsabilidade das empresas de Economia Social numa sociedade globalizada»
JUAN DEL PINO ARTACHO

As empresas de Economia Social, cooperativas, mútuas, associações, etc, pelos valores e princípios que as configuram, têm a responsabilidade social de evitar as disfunções que se derivam da economia globalizada na sociedade da informação ou pós-industrial.

Resolver o dilema de produzir ou repartir, acometer as responsabilidades internas como acolhimento ao outro frente ao particularismo e a exclusão, a distribuição eqüitativa do benefício e responsabilidade ativa do sócio, junto ao princípio da educação, formação e informação. São importantes também as responsabilidades externas como a função de integrar o cidadão nos problemas da vida local.

A prática do espírito empreendedor e cooperativo é dura e exige sacrifício, mas no final não só permite fazer frente às necessidades materiais, mas ao mesmo tempo permite colaborar na configuração de um mundo mais confortável, mais solidário e mais humano.

«Novas Fronteiras para a Economia Social. A teoria do desenvolvimento local é a experiência da excelência territorial»
FERMÍN RODRÍGUEZ GUTIÉRREZ

A Economia Social analisa-se no contexto do desenvolvimento social, como base teórica, na qual se aplica uma dimensão prática, concretizada em levar a qualidade ao território, em difundir o conceito de excelência territorial. Um novo ponto de equilíbrio que provoque a preocupação pelo emprego pelo meio ambiente pelas formas de vida em perigo, pelo mundo rural, pela qualidade de vida são desafios para o imediato futuro.

Fórmulas com as que aparecem abaixo da rubrica da Economia Social, desenvolvimento local ou Excelência Territorial são respostas a estes desafios, que pretendem consolidar-se para assegurar opções no futuro.
Para este enfoque, o território local não interessa, e a Empresa ou a fábrica a que o organiza, o desenvolvimento local é a projeção sob o terreno, a causa induzida pela empresa. Este enfoque despreza, além disso, outras formas de ter acesso ao desenvolvimento que não sejam através da grande empresa integrada verticalmente. Tem uma única via de industrialização, e os demais são economias periféricas. Tem uma grande empresa que gera uma massa local a qual controla diretamente e assim se produz o desenvolvimento dessa localidade. Realiza-se uma transferência da empresa ao território, mas não o inverso.

O conceito operativo Excelência Territorial pode atuar como a clave estratégica desde a qual se possa interpretar o desenvolvimento local de um território, neste sentido pode ser utilizado por qualquer um dos enfoques ou variantes de organização do seu desenrolar prático (economicista, institucionalista, darwnista, humanista), pois é perfeitamente compatível como o tronco comum do qual os três partem.

«Processo de gestão e sistema de informação contábil nas entidades não-lucrativas»
MÓNICA ÁLVAREZ PÉREZ
JOSÉ LUIS PABLOS RODRÍGUEZ

Iguais às empreses, as entidades não-lucrativas devem desenvolver um sistema de gestão adequado que lhes permita alcançar os objetivos previstos mediante um emprego eficiente dos recursos. Para isso, além de incidir na necessidade de que a gestão seja mais profissionalizada, é importante conhecer os valores e as características destas organizações que permitam adaptar as mesmas o processo e as técnicas de gestão habitualmente utilizadas no mundo empresarial. O processo compreende várias etapas, destacando de forma especial a programação e presupostação.

A nova legislação na Espanha que afeta fundações e associações introduz avanços importantes no controle da gestão, se bem pode significar sérias dificuldades enquanto ao cumprimento das obrigações contábeis estabelecidas especialmente para as associações de menor tamanho e com menores recursos. A respeito, seria conveniente o estabelecimento de um modelo contábil simplificado, semelhante ao previsto na lei de fundações que permitisse, facilitasse a rendição de contas e o suministro de informação por parte das associações pequenas.

«As Cooperativas agrárias»
EDUARDO BAHAMONDE

As Cooperativas Agrárias continuam sendo fiéis à missão pela qual foram constituídas: a representação dos interesses legítimos do mundo cooperativo e a aportação dos serviços de utilidade tanto aos sócios como às suas empresas, adaptando-se continuamente às necessidades cambiantes do mercado e à sociedade, e sendo um referente imprescindível na agricultura espanhola e comunitária. O rol das cooperativas permite melhorar o poder de negociação e melhorar a competitividade de muitos agricultores e ganadeiros num mercado que cada dia é mais difícil e competitivo. As cooperativas não só melhoram a posição negociadora tanto do lado dos clientes como dos provedores, senão que aportam serviços, com a formação, a informação a seus sócios, a introdução de novas tecnologias e difusão de conhecimentos que melhoram a eficiência produtiva da explotação. Desde as cooperativas se acerca a inovação ao mundo rural, e ao mesmo tempo agregam-se valor aos produtos mediante a transformação e acondicionamento dos mesmos, conseguindo que as margens beneficiem aos próprios agricultores e ganadeiros.

«As Sociedades Laborais e Confesal. Evolução e Perspectivas»
MIGUEL MILLANA

A Confederação empresarial de Sociedades Laborais da Espanha (CONFESAL) nasce em 1987, como uma necessidade das empresas de organizarem-se para resolver problemas urgentes e assim como conseqüência da vontade política de um governo em um marco muito difícil de crise econômica e desemprego. O futuro parece acolher com boas expectativas as empresas integradas por trabalhadores, se se mantém a excelente relação entre empreendedores, organizações empresariais e poderes públicos.

A realidade das sociedades laborais no presente é muito positiva, porquanto se tem consolidado como a fórmula preferida pelas empreendedoras para configurar juridicamente seu projeto empresarial. Falamos, certamente, dentro do âmbito da economia social. Compartilham, não obstante, os problemas que afetam as pequenas e grandes empresas. (Pymes)

«Sainete belga com involuntários atores rio-platenses e cruéis exemplo da economia anti-social. Erva boa, erva ruim»
ARMANDO OLIVEIRA RAMOS

Todo belga preocupado por sua auto-estima pode comprar em supermercado das principais cidades de seu país, um produto que, segundo seus importadores, lhe permitiria perder em forma natural 16 Kg, ademais de tonificar seus músculos, energizar sua personalidade e, melhor ainda, potenciar suas virtudes sexuais. A sedutora proposta é apresentada regularmente, há quatro anos no semanário de distribuição gratuita Vlan, de Bruxelas. A partir deste fato, se analisa o caso da entranhável „erva‰, imprescindível para consumar (e consumir) o mais rio-platense rito cultural: o chimarrão, um apreciado Patrimônio econômico e cultural do MERCOSUL.
A erva-mate é um bom exemplo de integração regional e de setor econômico em expansão sustentando num costume cultural que deve ser considerada como verdadeiro patrimônio de quatro países que, não casualmente, integram o MERCOSUL (Mercado Comum do Sul). Alguns dados o avaliam: só em três países existe cultivo de erva-mate: Argentina, Brasil e Paraguai com uma superfície de 500000ha. Paraguai é a mãe terra da erva, mas a Argentina é o maior produtor mundial da folha, o maior industrializador e empacotador da erva-mate, apesar de possuírem superfícies cultivadas muito similares. De distinta forma, Argentina e Paraguai são os primeiros exportadores mundiais do setor. Uruguai não possui cultivo de erva, mas é o primeiro importador mundial. O artigo finaliza com um útil e valioso, Manual urgente para compartir um chimarrão.


«O patrimônio comunitário em função do desenvolvimento, SIBARIMAR uma experiência cubana»
MARIO J. GONZÁLEZ MARTÍN

O projeto SIBARIMAR, em Guanabo (Cuba), propõe por meio do labor combinada do museu municipal, o governo local e a população, gerar um marco de estratégias que propiciem como superar a face de deteriorização a qual estão submetidos muitos dos bens patrimoniais e, para isso, estabelece um regime de proteção, conservação e uso sustentável a ser cumprido por todos os que interagem sob eles ou possam utilizar os mesmos.

Neste trabalho, foram levados em conta aspectos essenciais nas relações com a comunidade, partindo de interelacionar escolas, organizações de grupos de voluntários, a criação de círculos infantis e agrupamentos juvenis.

Desde o ponto de vista econômico isto também viabiliza a execução do Programa em sua totalidade, pois ao definir-se como uma soma de projetos que podem se delimitar zonas de interesse de inversão de entidades diversas cujas propostas não contradigam o plano de manejo geral.
Isto contribui igualmente ao autofinanciamento das atividades mais custosas, ao pôr em exploração sustentável de acordo ao uso projetado a unidades que segundo se recuperam, facilitam os recursos necessários para inverter nos objetivos que por seu custo inicial seja imprescindível realizar em segundas etapas.

Isto forma parte de uma proposta de manejo do Patrimônio natural e cultural, onde se tem promovido atividades que, em seu conjunto, contribuem a materializar entre todos e promover também um programa de reutilização da natureza e a cultura da área, que a comunidade vem desenvolvendo ao despertar em si mesma o interesse pelo conhecimento do seu patrimônio, a preservação de seu entorno e a valorização de sua autenticidade.

O programa SIBARIMAR é uma visão para o futuro sustentável e ao mesmo tempo, uma missão ativa para o presente que dá resposta, ainda dentro de carências econômicas, ao alcançado pela comunidade em relação com a preservação de suas raízes mais profundas, as expressões materiais e espirituais de sua natureza, sua história e sua cultura local.



 
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