OS RESUMOS

«Fragmentação social, individualização e novas desigualdades»
LUIS ENRIQUE ALONSO

O estudo da transformação atual das identidades sociais expressadas em, e construídas por, as formas de consumir, identidades que, visivelmente, nos últimos anos, apresentam-se muito mais fragmentadas, multiplicando-se com isso as sensibilidades e percepções que desde diferentes grupos sociais se dá à noção de consumo e à noção associada do mundo da vida privada.

Neste sentido, o conceito de consumo de massas, e sua companhia natural, o da unificação social, deve ser atualizado com teorias muito mais ágeis, como as dos estilos de vida ou consumos distintivos, mas isso deve ser feito considerando-se também sua relação com o sistema produtivo e com as novas desigualdades sociais geradas.


«A produção dos estilos de vida desde a globalização do consumo»
JAVIER CALLEJO GALLEGO

O processo de globalização do capitalismo tem provocado uma serie de mudanças na sociedade de consumo, entre os quais se encontram uma desvinculação do individuo em relação à sua comunidade local, através de uma tentativa de universalização por parte do sistema. Apesar de sua tendência à homogeneização, a globalização do consumo pode levar à fragmentação social, e inclusive à exclusão.

O consumo de bens duráveis ociosos, o que tem constituído a base das sociedades de consumo atuais, não será mais uma das principais fontes de integração cultural em nossas sociedades, mas um dispositivo de integração na globalização. Se as políticas nacionais ou locais não intervierem a favor de tais dispositivos de integração cultural e social, os processos de desigualdade, a falta de vínculos e redes comunitárias não poderão ser detidos.

«Drogas, a rua e a pobreza insensata»
PHILLIP LALANDER
NELSON CARMONA

Em uma área suburbana de uma cidade da Suécia, de aproximadamente 100.000 habitantes, realiza-se um estudo de como os símbolos da cultura "hiphop" são usados para criar estilos de vida e identidade. A experiência tem seu embasamento em jovens chilenos que, durante a década de noventa, criaram uma cultura própria com ênfase no uso acentuado de drogas, assumindo signos de status inferiores, estigma e marginalidade concomitantemente a um estado de conflito social.

A entrevista com jovens chilenos e a análise de seus "grafittis" manifesta um modelo de cultura de grupo, estabelecendo ações de força, respeito e sentimentos de orgulho. Seu "estilo de vida", enfatiza a "nacionalidade", sua herança chilena projetada no "Poder do Chile" pintado em subterrâneos e muros ou "a cultura da Bola 2" , popularizada através de "grafittis" e tatuagens, simbolizando a palavra "pirados", similar a "drifters" ou "heads" em inglês, pessoas que se drogam e que não conseguem seu autocontrole e determinação em seus objetivos vitais. Reforçam seu estigma, criando uma nova pauta de comportamento em meio à pobreza.

«Estilos de Vida e Identidades Juvenis»
AMPARO NOVO VÁZQUEZ
FERNANDO SÁNCHEZ BRAVO-VILLASANTE

Os estilos de vida não somente fazem referência a condutas, comportamentos ou relações específicas, mas também ao processo de construção da identidade individual. Assim, as escolhas que o individuo realiza em sua vida cotidiana vão conformando sua forma de ser e de apresentar-se socialmente. O conceito de estilos de vida é especialmente útil para o estudo da juventude porque, nesta etapa do ciclo vital, tomam-se decisões muito importantes em distintos âmbitos que vão ter conseqüências durante o resto da vida do individuo, ao mesmo tempo em que se desenvolvem culturas específicas nas quais se plasmam os resultados destas escolhas.

« Balbucio sobre os tempos de Woodstock para uma menina de 24 anos, sem nostalgia »
MARIO DELGADO APARAÍN

O festival de Woodstock, a cultura hippie e a vida dos anos sessenta são lembradas pelo autor como um momento em que, ao mesmo tempo que o mundo corria o risco de desaparecer por uma guerra nuclear, tinha-se a fé de converter a Casa Branca em um albergue comunitário. Influenciada por este pensamento, a América Latina devia, no entanto, fazer frente a problemas muito mais urgentes do que aqueles que sustentavam os protestos juvenis do mundo desenvolvido.

«Califórnia no coração»
ARMANDO MOLINA

Apresenta-se um percurso pessoal pela vida social e cultural da Califôrnia entre os anos setenta e oitenta, lugar onde reside o autor, desde o LSD e Led Zeppellin, até os yuppies, a cocaína e Ronald Reagan. Região que tem recebido, ao longo da sua história, milhões de imigrantes de todas as partes do mundo, é um lugar violento e caótico, mas, pela mesma razão, insubstituível e inesquecível.

«A conservação dos Picos da Europa através da recuperação do pastoreio tradicional»
JAIME IZQUIERDO VALLINA

Frente aos questionamentos dos ecologistas, que reivindicam uma redução do pastoreio e uma maior proteção da fauna selvagem do Parque Nacional dos Picos de Europa, especialmente dos lobos, e frente às administrações públicas, que agem unicamente em função de critérios turísticos, o autor defende o pastoreio tradicional como elemento básico para manter o ecossistema e o equilíbrio ecológico da região.

«En Montevidéu. Do Café Tertúlia ao Cibercafé»
HUGO GARCÍA ROBLES

Os Cafés, ao longo dos séculos XIX e XX, eram centros de tertúlia e conversação no Uruguai. No entanto, a partir dos anos sessenta, têm perdido progressivamente este caráter coletivo para ceder lugar aos cibercafés, reflexo de um mundo mais globalizado, em que a comunicação e a reunião têm desaparecido em benefício do virtual individual.

« Projeção da Beat Generation no século XXI »
FRANCISCO J. LAURIÑO

A geração beat, com autores como Jack Kerouac ou Allen Ginsberg, foi um dos principais motores do movimento cultural dos anos sessenta nos Estados Unidos, com o qual compartia os ideais de independência e liberdade individual e coletiva. Apesar das modas que somente recuperam o superficial e o anedótico daquela época, os autores desta geração permanecem na atualidade não somente como escritores respeitados, mas também como autênticos ídolos.

«A taverna como espaço de sociabilidade popular na época contemporânea»
LUIS BENITO GARCÍA

A taverna tem desempenhado, principalmente a partir da revolução industrial, uma função nuclear na vida das classes populares e especialmente na dos trabalhadores. Lugar onde se consome álcool barato, centro de reunião ou também de atividade política, espaço, enfim, de liberdade, a taverna tem sido sempre, por esta razão, uma causa de preocupação e queixa para as classes dirigentes.

«Imprensa e Internet»
FÉLIX J. FUERTES

A imprensa e a internet constituem-se em avanços técnicos que ocorrem lado a lado, relacionados com a transmissão da informação. Da imprensa, o tempo transcorrido nos dá uma perspectiva suficiente como para valorizar sua importância no devenir sociocultural, enquanto que da Internet, ao estarmos completamente imersos em seu avanço, ainda desconhecemos sua transcendência, mesmo que se intua sua capital importância. Indagando sobre a nascente história dos internautas, faz-se uma viagem no tempo para lembrar o mito dos argonautas; quiçá sejam parentes, separados por três milênios, destes novos navegantes do ciberespaço. Uns e outros pioneiros do desenvolvimento sociocultural, para o bem e para o mal.

«A Terra do arco-íris. A nação rainbow sem fronteiras»
MARTÍN GÓMEZ-ULLATE

Os encontros rainbow que acontecem nos USA e na Europa são uns dos eventos contra-culturais mais notáveis. Aparecem e desaparecem; sua força consiste em criar uma vinculação com o uso do espaço; para muitas pessoas exercem uma função de coesão em que estilos de vida contra-culturais têm encontrado modelos de referência alternativos: cultura, folclore, valores em ação e ação em valores. Trata-se de um modelo dissidente, um foro e uma semente para transgredir os limites culturais tradicionais.

«A Guerra do Doce de Leite»
ARMANDO OLVEIRA RAMOS

Uma romanceada visão e versão de outro histórico desencontro entre argentinos e uruguaios, como conseqüência da polêmica tentativa de declarar, no ano de 2003, patrimônio cultural exclusivo dos argentinos o famoso doce de leite. Através de uma documentada e amena descrição dos percalços históricos e políticos que ocorrem no território do Rio da Prata em relação à saborosa iguaria, projeta-se uma precisa análise do fato cultural destes países. Um valioso "vademecum" de termos e ditados completa a original contribuição.


 
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